
Os laços do presidente argentino Javier Milei com a moeda meme LIBRA, que colapsou, podem ser mais profundos do que ele admitiu, com registros telefônicos recém-revelados mostrando sete chamadas entre Milei e uma figura chave por trás do token na noite de seu lançamento.
Milei promoveu o token baseado em Solana no X em fevereiro de 2025, impulsionando seu valor de mercado acima de US$ 4 bilhões antes que ele despencasse mais de 90% em questão de horas, à medida que insiders drenavam aproximadamente US$ 87 milhões em liquidez.
O colapso custou aos investidores cerca de US$ 250 milhões e desencadeou acusações de fraude, uma investigação congressual e uma investigação criminal federal que permanece aberta.
Em junho de 2025, o escritório anticorrupção da Argentina inocentou Milei, decidindo que ele agiu em caráter pessoal ao postar sobre o token.
De acordo com um relatório do New York Times, citando a cobertura inicial do canal de notícias a cabo local C5N, as chamadas em questão ocorreram antes e depois da postagem agora excluída de Milei endossando o token baseado em Solana na época.
“O lançamento e a promoção do LIBRA não foram de forma alguma improvisados ou acidentais por parte do presidente", disse Maximiliano Ferraro, um legislador da oposição, ao jornal. "Foi uma operação planejada, coordenada e deliberadamente executada."
Os registros telefônicos, obtidos da investigação da procuradoria federal, mostram que as chamadas ocorreram na noite de 14 de fevereiro de 2025, entre Milei e Mauricio Novelli, um dos empresários por trás do token. Novelli também teria ligado para dois dos principais assessores de Milei naquela noite, incluindo a irmã do presidente, Karina Milei, segundo o relatório.
Mensagens de WhatsApp recuperadas do telefone de Novelli apontam para um relacionamento financeiro muito antes do lançamento do token.
Em uma mensagem de áudio de 2023, Novelli disse a um assistente para orçar "os habituais 2.000 para Milei", chamando-o de salário mensal, enquanto em uma mensagem separada de abril de 2024 ele fez referência "aos 4.000 que precisamos dar a Karina", em uma aparente referência à irmã de Milei, segundo o Times.
Rascunhos de documentos encontrados no telefone de Novelli delinearam um esquema de pagamento de US$ 1,5 milhão ligado a Milei nomeando publicamente Hayden Davis como assessor presidencial, indica o relatório.
Vale ressaltar, no entanto, que nenhuma evidência surgiu mostrando que Milei concordou ou recebeu qualquer um dos pagamentos. O presidente argentino não comentou publicamente os registros telefônicos ou as referências de pagamento, e não foi formalmente acusado em relação a eles.
O advogado de Novelli, por sua vez, disse ao Times que seu cliente "está totalmente desassociado de qualquer irregularidade" e está buscando a exclusão das evidências telefônicas, argumentando que o dispositivo pode ter sido adulterado sob custódia.
Se Milei já havia sido inocentado, as novas evidências poderiam fazer com que eles “voltassem a investigar”, disse Austin Campbell, fundador da empresa de consultoria de risco e conformidade de cripto Zero Knowledge, ao Decrypt, ao mesmo tempo em que apontava as dificuldades de fazê-lo.
“Cripto tem um problema profundo com pagamentos não divulgados, promoções e golpes descarados”, disse Campbell. “O que precisamos urgentemente é de um regime de divulgação para tais acordos ou pagamentos, com penalidades civis e criminais significativas para a falha em divulgar.”
Milei dissolveu a força-tarefa governamental que investigava o escândalo em maio do ano passado. A investigação criminal federal sob o promotor Eduardo Taiano permanece aberta.
O Decrypt entrou em contato com o gabinete de imprensa presidencial da Argentina para comentários e atualizará esta matéria caso recebam uma resposta.