
Intel e Apple chegaram a um acordo preliminar para que a Intel fabrique alguns dos chips que alimentam os dispositivos Apple, informou o The Wall Street Journal na sexta-feira. As conversas entre as duas empresas estavam em andamento há mais de um ano.
Os mercados não esperaram pelos detalhes. As ações da Intel saltaram mais de 13% na sexta-feira, atingindo uma máxima intradiária de US$ 130,57 – superando o pico de fechamento da empresa na era dot-com de US$ 75,81, estabelecido em 2000, em aproximadamente 72%. Para contextualizar: 365 dias atrás, a Intel estava sendo negociada perto de sua mínima de 52 semanas de US$ 18,96.
Quais produtos a Intel fabricaria para a Apple ainda não está claro, mas a Apple envia mais de 200 milhões de iPhones por ano, além de milhões de iPads e Macs. Isso chega em um momento oportuno para a Intel, já que Nvidia e AMD têm constantemente corroído sua participação de mercado.
Atualmente, a Apple depende quase inteiramente da TSMC para seus chips. A Intel pode se concentrar primeiro em produtos de menor volume e fornecer alguma diversificação para a Apple.
A Casa Branca desempenhou um papel direto na concretização do acordo. O Presidente Trump defendeu pessoalmente a Intel para Tim Cook em uma reunião na Casa Branca. O Secretário de Comércio Howard Lutnick também esteve envolvido na abordagem. Com este acordo, a Intel pode estar recebendo um grande impulso nos negócios (como mostram os gráficos), e a administração Trump pode conquistar uma vitória política após defender veementemente a importância da fabricação local de chips nos EUA. A participação da Apple, por sua vez, poderia ajudar a aprimorar seu relacionamento com a administração Trump.
O governo tem uma razão muito pessoal para se importar. Em agosto passado, os EUA adquiriram uma participação de 9,9% na Intel ao comprar 433,3 milhões de ações a US$ 20,47 cada — um total de US$ 8,9 bilhões financiados através da Lei CHIPS e Ciência e programas de semicondutores seguros, conforme o arquivamento da Intel na SEC. Com a Intel agora sendo negociada acima de US$ 120, essa posição disparou para bem mais de US$ 50 bilhões em valor. Trump usou o Truth Social na semana passada para reivindicar o crédito por “ter feito os Estados Unidos da América ganharem mais de 30 Bilhões de Dólares”.
A história da recuperação da Intel teve muitas partes móveis. A participação do governo foi seguida pelo lançamento do chip Panther Lake — o primeiro produto da Intel em seu processo de fabricação avançado 18A — depois um investimento de US$ 5 bilhões da Nvidia e uma injeção de US$ 2 bilhões do SoftBank. O CEO da Intel, Lip-Bu Tan, que assumiu em março de 2025 após anos de perda de participação de mercado da Intel para AMD, Nvidia e Apple Silicon, tem buscado parceiros e clientes desde então.
A AMD tem sido um ponto de pressão implacável. Como Decrypt relatou em outubro passado, a AMD garantiu um enorme acordo de 6 gigawatts de GPU com a OpenAI — um acordo que incluía a aquisição de até 10% do capital da AMD pela OpenAI. Essa foi a AMD marcando sua posição na infraestrutura de IA. A Intel, em contraste, estava apostando em clientes de fundição. Agora, pode ter conseguido o maior deles que se possa imaginar.
Os primeiros chips da Apple fabricados pela Intel, se o cronograma se mantiver, estariam a aproximadamente 18 meses de distância.