
A empresa brasileira de tesouraria de Bitcoin OranjeBTC planeja listar um novo ETF focado em renda na B3 no início de setembro, dando aos investidores locais exposição a ações preferenciais emitidas pelas empresas americanas de tesouraria de Bitcoin Strategy e Strive.
O Digital Yield ETF, ou DIGY11, fará distribuições mensais em reais brasileiros e fará hedge de sua exposição ao dólar americano, de acordo com o comunicado da empresa.
A carteira inicial deverá ser fortemente concentrada nas ações preferenciais STRC da Strategy. O Exame informou que o STRC representará 95% da carteira, deixando a alocação restante para o SATA da Strive. O anúncio público mais amplo da OranjeBTC confirma ambos os títulos e afirma que o STRC terá o maior peso, embora não publique o número exato de 95%.
O DIGY11 não manterá Bitcoin diretamente. Em vez disso, o ETF rastreará o Índice MarketVector Bitcoin Treasury Preferred Equity BRL Hedged, que seleciona ações preferenciais emitidas por empresas listadas com balanços patrimoniais pesados em Bitcoin. A metodologia considera liquidez, reservas de Bitcoin, alavancagem e histórico de distribuição.
A OranjeBTC estima distribuições anuais equivalentes a “CDI mais aproximadamente 3% a 5%” nas atuais condições de mercado. A estimativa exclui mudanças no preço da cota do DIGY11 e não garante retornos aos investidores. O fundo cobrará uma taxa de administração anual de 0,90%, com custos totais estimados em 1,30%, de acordo com relatórios locais.
O ETF será gerido pela 3R Investimentos, com a MarketVector mantendo seu índice de referência e o Banco Daycoval cuidando da administração fiduciária. A OranjeBTC atuará como criadora do produto, consultora e investidora âncora.
Um detalhe mudou em relação a alguns relatórios iniciais sobre o DIGY11. A página atual da Strategy lista a taxa de dividendo anualizada do STRC para agosto em 12%, em vez de 12,5%. A taxa é variável e pode ser ajustada mensalmente. A Strategy também afirma que seus títulos preferenciais não são garantidos por suas participações em Bitcoin e que dividendos futuros não são garantidos.
Conforme relatado anteriormente, a Strategy manteve a taxa de dividendo de agosto do STRC em 12%, mesmo com o título sendo negociado abaixo de seu valor declarado de US$ 100. O STRC paga distribuições em dinheiro duas vezes por mês, após uma alteração aprovada pelos acionistas implementada este ano.
O SATA da Strive atualmente possui uma taxa anualizada de 13%. Os resultados mais recentes da empresa mostram que ela havia feito 44 pagamentos de dividendos em dias úteis consecutivos até 7 de agosto. Conforme relatado anteriormente, a Strive mudou o SATA para dividendos diários em dinheiro a uma taxa anualizada de 13% a partir de 16 de junho.
O DIGY11 expande a atuação da OranjeBTC para além da manutenção de Bitcoin em seu próprio balanço patrimonial. A empresa entrou nos mercados públicos no ano passado após uma fusão reversa. Conforme relatado anteriormente, a OranjeBTC fez sua estreia na B3 com uma tesouraria de 3.650 BTC, posicionando suas ações como outra rota regulamentada para exposição relacionada ao Bitcoin.
O Brasil também já possui um mercado desenvolvido para produtos de investimento em cripto listados. Dados da B3 mostraram fundos de cripto e ETFs detendo R$ 13,7 bilhões em ativos líquidos em aproximadamente 576.000 investidores em abril de 2025. O DIGY11 difere dos ETFs de Bitcoin convencionais porque seus retornos dependem principalmente dos preços das ações preferenciais, distribuições do emissor, hedge cambial e custos do fundo, em vez de rastrear diretamente o BTC.
A OranjeBTC espera que o DIGY11 comece a ser negociado na B3 no início de setembro, mas não anunciou uma data firme para o primeiro dia de negociação. O ETF deverá oferecer liquidez diária, distribuições mensais denominadas em reais e divulgação diária de sua carteira e valor patrimonial líquido.
O índice de referência também pode adicionar outros títulos preferenciais de tesouraria de Bitcoin se os emissores atenderem aos seus critérios de elegibilidade. Para os investidores, as principais variáveis após o lançamento serão os preços do STRC e do SATA, suas futuras taxas de dividendos, custos de hedge e quaisquer mudanças nos pesos da carteira. O prêmio CDI projetado continua sendo uma estimativa, e não um retorno prometido.








