
Legisladores dos EUA introduziram legislação para criar uma força-tarefa federal focada em investigações de roubo, fraude e hacking de criptomoedas.
A proposta surge após um ano em que os americanos relataram mais de US$ 11 bilhões em perdas relacionadas a criptomoedas. Se aprovada, a medida estabeleceria uma estrutura coordenada de denúncias e fiscalização entre várias agências federais.
Legisladores bipartidários apresentaram o Ato Federal de Fiscalização e Coordenação de Roubo de Criptomoedas no Congresso. A proposta criaria uma força-tarefa liderada pelo procurador-geral. Funcionários do Departamento de Justiça, FBI, Departamento de Segurança Interna e Tesouro participariam.
O projeto de lei surge após um aumento acentuado nas denúncias relacionadas a criptomoedas em todo os Estados Unidos. De acordo com o Relatório de Crimes na Internet de 2025 do FBI, os americanos registraram 181.565 denúncias de criptomoedas. Esses relatos resultaram em mais de US$ 11,3 bilhões em perdas registradas. A fraude de investimento gerou a maior parte dessas perdas. Dados do FBI mostraram que os golpes de investimento foram responsáveis por aproximadamente US$ 7,2 bilhões. O volume de denúncias também aumentou 21% em comparação com o ano anterior.
Americanos mais velhos relataram as maiores perdas entre todas as faixas etárias. Pessoas com mais de 60 anos registraram 44.555 denúncias durante 2025. O FBI disse que essas vítimas perderam aproximadamente US$ 4,43 bilhões através de esquemas relacionados a criptomoedas. Enquanto isso, a empresa de análise de blockchain TRM Labs relatou um aumento na atividade criminosa envolvendo ativos digitais. De acordo com a empresa, carteiras ligadas a atividades ilícitas receberam US$ 158 bilhões em criptomoedas durante 2025. O valor era de US$ 64,5 bilhões em 2024.
Os representantes Lance Gooden e Josh Gottheimer apresentaram a legislação. Os legisladores afirmaram que as vítimas atualmente não têm um local central para relatar crimes relacionados a criptomoedas. A proposta visa estabelecer uma estrutura de resposta mais coordenada.
Gooden disse que os americanos precisam de uma estratégia unificada contra criminosos de criptomoedas. Ele argumentou que a fiscalização fragmentada deixa as vítimas sem opções claras de suporte. O projeto de lei busca melhorar a comunicação entre as agências que lidam com investigações de cripto.
Sob a proposta, a força-tarefa coordenaria investigações entre as agências participantes. Ela também desenvolveria orientações padronizadas para os departamentos de aplicação da lei locais. Os funcionários criariam procedimentos para lidar com casos de roubo e fraude de criptomoedas. A legislação também se concentra na assistência às vítimas. Os legisladores disseram que a estrutura forneceria um processo de denúncia mais claro. Os serviços de apoio operariam por meio de uma estrutura federal centralizada.
O projeto de lei surge depois que o Departamento de Justiça dissolveu a Equipe Nacional de Fiscalização de Criptomoedas em 2025. As autoridades disseram que a unidade anterior dependia fortemente de ações de fiscalização contra participantes da indústria. A proposta atual, em vez disso, foca em investigações criminais e apoio às vítimas. As agências federais já operam vários programas que visam crimes relacionados a ativos digitais.
A Operação Level Up do FBI identifica vítimas de golpes antes que as perdas aumentem. De acordo com o órgão, a iniciativa economizou mais de US$ 225,8 milhões durante 2025. Outras agências também continuam os esforços de fiscalização de cripto. A Força-Tarefa do Centro de Golpes do Departamento do Tesouro tem como alvo redes de fraude estrangeiras. As autoridades disseram que o programa apreendeu mais de US$ 700 milhões vinculados a operações de golpes.
Grupos da indústria expressaram apoio à proposta. A Digital Chamber disse que as agências de aplicação da lei precisam de ferramentas e treinamento mais fortes. Dennis Porter, CEO da Satoshi Action Fund, disse que a legislação forneceria uma resposta federal coordenada para vítimas e investigadores. A medida ainda deve avançar através dos comitês do Congresso antes de se tornar lei. Os legisladores também poderiam anexar a proposta a um pacote legislativo mais amplo durante a sessão atual.