
A Circle apresentou um plano em várias etapas para fortalecer sua próxima rede de camada 1, Arc, contra os riscos potenciais representados pela computação quântica, delineando mudanças que eventualmente abrangerão carteiras, validadores e infraestrutura de suporte.
Detalhes compartilhados na quinta-feira indicam que o lançamento começará na ativação, com a Arc introduzindo carteiras e esquemas de assinatura resistentes à computação quântica quando for lançada na mainnet, o que é esperado para 2026.
O acesso a essas proteções será inicialmente opcional, enquanto mudanças maiores no nível do validador e em todas as camadas de infraestrutura estão programadas para fases posteriores.
“A resiliência quântica não pode existir apenas em artigos de pesquisa, pilotos exploratórios ou slides de roteiros distantes. Ela precisa aparecer na infraestrutura”, disse a Circle, enquadrando o esforço como um desafio prático de implementação, e não teórico.
O cronograma do roteiro se alinha com avisos renovados do Google e de pesquisadores do California Institute of Technology, que argumentaram que sistemas quânticos utilizáveis podem chegar mais cedo do que as estimativas anteriores sugeriam.
As descobertas recentes do Google chamaram a atenção depois de sugerir que as proteções criptográficas do Bitcoin poderiam, no pior cenário, ser quebradas em minutos sob condições quânticas avançadas.
“Endereços ativos que já assinaram transações devem migrar antes do Q-Day porque suas chaves públicas foram expostas”, observou a empresa, acrescentando que atrasar a preparação aumenta riscos evitáveis.
A Arc, que já está em execução na testnet pública, está sendo posicionada como uma blockchain focada em empresas, construída em torno do USDC, com suporte para aplicações financeiras e casos de uso institucionais. A primeira fase de seu modelo de segurança quântica se concentrará em proteger o acesso do usuário por meio de assinaturas criptográficas atualizadas.
Mais adiante, a Circle planeja estender essas proteções para garantir que os dados de transação, saldos e outras informações sensíveis permaneçam privados, mesmo em um ambiente pós-quântico. Atualizações de longo prazo também terão como alvo as operações de validadores e sistemas off-chain, incluindo infraestrutura de nuvem, controles de acesso e segurança em nível de hardware.
Em toda a indústria, poucos contestam que a computação quântica representa um desafio credível a longo prazo para os padrões criptográficos existentes.
O que permanece incerto é o escopo desse risco. Alguns pesquisadores argumentam que apenas carteiras com chaves públicas expostas enfrentam perigo imediato, enquanto outros sustentam que um sistema quântico suficientemente avançado poderia ameaçar todos os fundos protegidos pelos sistemas atuais.
Pesquisas do Google publicadas em 31 de março adicionaram outra camada a essa discussão, identificando a Algorand como uma das redes mais bem posicionadas para uma transição pós-quântica.
Ao mesmo tempo, desenvolvedores de Ethereum e Solana têm trabalhado em potenciais atualizações projetadas para preparar seus ecossistemas antes do chamado “Q-Day”, quando as capacidades quânticas começarem a superar os métodos de criptografia atuais.