
Mais de 40 legisladores democratas pressionaram os reguladores dos EUA a intervir, à medida que crescem as preocupações sobre o possível uso indevido de informações governamentais sensíveis em mercados de previsão.
Em uma carta enviada à Commodity Futures Trading Commission (CFTC) e ao Office of Government Ethics, o grupo apontou "múltiplos incidentes" que, em sua opinião, alimentaram a especulação de que funcionários federais podem ter usado informações não públicas para realizar negociações.
Os legisladores instaram ambas as agências a agir rapidamente, escrevendo que elas deveriam "circular uma orientação para todo o poder executivo" para deixar claro que os funcionários do governo estão proibidos de se envolver em uso de informação privilegiada (insider trading) em tais plataformas.
Os exemplos citados na carta incluíam apostas ligadas à alegada captura de Nicolás Maduro e apostas sobre a duração de um briefing de imprensa de Karoline Leavitt.
Os legisladores também sinalizaram casos mais sensíveis envolvendo atividades de negociação ligadas a eventos como tensões envolvendo o Irã e especulações sobre o destino de Kristi Noem, alertando que tal comportamento poderia levantar preocupações de segurança nacional.
"Mais recentemente, foi relatado que vários usuários se envolveram em negociações suspeitas relacionadas à invasão do Irã e à morte do Aiatolá Khamenei", afirmou a carta, apontando para temores de que a atividade do mercado pudesse, às vezes, sinalizar ou até mesmo incentivar eventos do mundo real.
Foi solicitado aos reguladores que forneçam um briefing formal até 13 de abril, juntamente com detalhes sobre se alguma investigação sobre funcionários federais está em andamento e quais sistemas estão em vigor para detectar tal conduta.
Além disso, os legisladores observaram que a CFTC já trata os contratos de evento como derivativos, o que os coloca sob as regras financeiras existentes. Como resultado, isso os enquadra no escopo do STOCK Act, uma lei de 2012 assinada por Barack Obama que proíbe funcionários públicos de usar informações materiais não públicas para ganho pessoal.
"A CFTC determinou que os contratos de evento são derivativos que dependem da ocorrência ou não ocorrência de um evento", escreveram os legisladores, acrescentando que as proibições de uso de informação privilegiada (insider trading) deveriam, portanto, aplicar-se igualmente aos mercados de previsão.
Essas preocupações surgem em um momento em que plataformas como Polymarket e Kalshi testemunharam um aumento na popularidade.
No entanto, a pressão sobre os reguladores está crescendo junto com uma repressão mais ampla aos mercados de previsão, onde os legisladores não estão apenas questionando o comportamento de negociação, mas também a legitimidade de contratos ligados a danos no mundo real.
Conforme relatado anteriormente por crypto.news, um projeto de lei do Senado intitulado "DEATH BETS Act" foi introduzido no início deste mês, buscando proibir contratos de evento ligados a guerra, assassinato e morte de um indivíduo, o que poderia restringir ainda mais o escopo das ofertas permitidas em tais plataformas.