
Elon Musk está exigindo que bancos, escritórios de advocacia e auditores que competem por funções no próximo IPO da SpaceX comprem assinaturas do Grok, seu chatbot de inteligência artificial — um mandato que o New York Times relatou na sexta-feira que algumas empresas de Wall Street já concordaram em cumprir, gastando dezenas de milhões de dólares anualmente.
A demanda não é uma sugestão. Quatro pessoas familiarizadas com as discussões confidenciais confirmaram ao Times que Musk insistiu nisso. A alavancagem é precisamente calibrada: acesso a funções de consultoria e subscrição no que poderia ser o maior IPO da história financeira.
De acordo com a Benzinga, os cinco coordenadores-líderes ativos — Bank of America, Citigroup, Goldman Sachs, JPMorgan Chase e Morgan Stanley — são os bancos principais que gerenciam o negócio. Instituições internacionais, incluindo Royal Bank of Canada, Mizuho Financial Group e Macquarie Group, também estão participando, focadas na distribuição de ações em seus respectivos mercados.
Musk pediu separadamente aos bancos para anunciarem no X, embora pessoas familiarizadas com o assunto tenham dito que ele foi consideravelmente menos insistente nesse ponto.
A SpaceX adquiriu a xAI em um negócio de todas as ações em fevereiro de 2026, incorporando o chatbot Grok e a rede social X em sua estrutura corporativa. A xAI foi avaliada em US$ 250 bilhões no momento da transação. O Grok atualmente ocupa o quarto lugar no mercado de chatbots de IA, atrás do ChatGPT da OpenAI, do Claude da Anthropic e do Gemini do Google.
O mandato de assinatura transforma efetivamente o processo de IPO em um mecanismo de distribuição forçada para o produto comercial da xAI. Com 21 bancos envolvidos no negócio, as instituições financeiras que se comprometem com as assinaturas representam uma base de clientes significativa e cativa que Musk parece ver tanto como um canal de distribuição quanto como um parceiro de captação de capital.
Não é a única característica não convencional da oferta. Banqueiros envolvidos no negócio também estariam considerando dispensar o período tradicional de bloqueio (lock-up) de 180 dias que normalmente impede que insiders vendam ações imediatamente após a listagem — um arranjo que gerou preocupação de alguns observadores de mercado sobre potenciais conflitos de interesse.
A SpaceX visa uma listagem na Nasdaq em junho com uma avaliação de até US$ 1,75 trilhão, com uma captação de até US$ 75 bilhões. Apesar de quase 23 anos de operação, a empresa relatou zero lucros líquidos no início de 2026. Os recursos do IPO são destinados a data centers orbitais, uma base lunar e missões tripuladas a Marte.
A marca SpaceX tem sido historicamente explorada em mercados de criptomoedas através de golpes de impersonificação e lançamentos de tokens imitadores, mas a cláusula de assinatura do Grok coloca a empresa diretamente no centro de um tipo diferente de conversa de mercado. À medida que grandes instituições aceleraram os movimentos de capital em classes de ativos tradicionais e digitais, a oferta da SpaceX agora surge como um teste definidor de como Wall Street se adapta ao império financeiro, de IA e de infraestrutura cada vez mais integrado de Musk.