
O Irã cobrará dos navios-tanque US$ 1 por barril em bitcoin para atravessar o Estreito de Ormuz durante um cessar-fogo de duas semanas com os EUA, adicionando um imposto cripto ao principal ponto de estrangulamento de petróleo do mundo.
O Irã forçará cada navio-tanque de petróleo que transitar pelo Estreito de Ormuz durante o novo cessar-fogo de duas semanas com os EUA a pagar uma taxa de US$ 1 por barril em criptomoeda, transformando o ponto de estrangulamento de petróleo mais sensível do mundo em um paywall de bitcoin de fato. De acordo com o Financial Times, Teerã exigirá que as companhias de navegação paguem a taxa em ativos digitais, principalmente bitcoin, enquanto busca receitas difíceis de rastrear em meio às sanções. Hamid Hosseini, porta-voz da União de Exportadores de Petróleo, Gás e Produtos Petroquímicos do Irã, disse que o sistema foi projetado para desacelerar o tráfego nos termos do Irã e apertar o controle sobre o que se move pelo corredor.
Sob o esquema, os navios-tanque devem primeiro enviar um e-mail às autoridades iranianas com manifestos detalhados da carga antes de entrar no estreito. Hosseini disse ao Financial Times que, uma vez que o e-mail é recebido e Teerã conclui sua avaliação, "os navios têm alguns segundos para pagar em bitcoin, garantindo que não possam ser rastreados ou confiscados devido às sanções." Ele acrescentou que "tudo pode passar, mas o procedimento levará tempo para cada navio, e o Irã não está com pressa", enfatizando que o objetivo declarado é prevenir o envio de armas durante a pausa nos combates. Com cargas de petróleo bruto típicas variando de 500.000 a 2 milhões de barris, um único trânsito poderia significar pagamentos cripto de US$ 500.000 a US$ 2.000.000 por viagem.
A cobrança ocorre enquanto Washington e Teerã testam uma trégua frágil que depende de uma reabertura parcial do Estreito de Ormuz, que antes da guerra transportava cerca de um quinto do petróleo marítimo mundial. Um alto funcionário iraniano disse à Reuters que o Irã poderia reabrir o estreito "limitado, sob controle do Irã" já na quinta ou sexta-feira, antes das conversações com as autoridades dos EUA no Paquistão. Os mercados de petróleo já reagiram: os futuros do Brent caíram cerca de 13%, para aproximadamente US$ 94,76 por barril, e o benchmark WTI dos EUA caiu mais de 15%, para cerca de US$ 95,79, depois que o presidente Donald Trump concordou com o cessar-fogo de duas semanas, condicionado à reabertura "imediata e segura" do estreito.
Em Washington, Trump sugeriu transformar as próprias cobranças em um modelo de negócio conjunto. "Estamos pensando em fazer isso como uma joint venture", disse ele a Jonathan Karl, da ABC News, chamando-o de "uma maneira de protegê-lo – também de protegê-lo de muitas outras pessoas. É uma coisa linda". Essa sugestão segue especulações anteriores de que os EUA poderiam impor seu próprio regime de pedágio aos navios que usam o estreito, monetizando efetivamente um corredor onde mesmo uma sobretaxa de US$ 1 por barril é uma pequena fração do petróleo bruto negociado na casa dos US$ 90, mas representa um novo imposto geopolítico em um mercado ainda se recuperando de semanas de picos de preços impulsionados pela guerra.