
A liquidação das ações da Circle na terça-feira pode ter sido exagerada, já que os investidores não perceberam que o modelo de negócio central da emissora de stablecoin permanece inalterado pela proposta da Lei CLARITY, disseram analistas da Bernstein na quarta-feira.
Em uma nota aos clientes, os analistas da Bernstein Gautam Chhugani, Mahika Sapra, Sanskar Chindalia e Harsh Misra afirmaram que os mercados estão confundindo "quem gera rendimento" com "quem distribui rendimento".
"A Circle gera. A Coinbase distribui", escreveram os analistas, observando que o projeto de lei visa principalmente a distribuição de rendimento aos usuários – e não a receita de reserva subjacente obtida por emissores como a Circle.
De acordo com o rascunho mais recente, a Lei CLARITY proibiria plataformas de oferecer rendimento sobre saldos de stablecoins passivos ou produtos considerados "economicamente equivalentes" a juros. No entanto, a proposta deixa espaço para recompensas baseadas em atividades ligadas ao engajamento do usuário, como negociação ou pagamentos.
"As exceções para recompensas de stablecoins ainda poderiam permitir a distribuição de recompensas vinculadas à categorização de atividades do usuário", disseram os analistas, acrescentando que "a reação instintiva do mercado pode não estar calibrada".
O modelo de negócio da Circle baseia-se na obtenção de receita a partir das reservas que lastreiam o USDC (USDC), as quais são principalmente investidas em títulos do Tesouro dos EUA de curto prazo. A Bernstein estima que essa receita de reserva atingiu cerca de US$ 2,6 bilhões em 2025.
As ações da Circle caíram cerca de 20% na terça-feira, após a atualização legislativa, apesar de terem valorizado mais de 160% desde suas mínimas de fevereiro. Na negociação de meio de dia na quarta-feira, as ações da CRCL recuperaram parte da queda do dia anterior, negociando em alta de mais de 3,5% na última verificação.
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Esta não é a primeira previsão otimista da Bernstein para a Circle este mês. No início de março, analistas reiteraram sua classificação de "Outperform" para a ação, estabelecendo um preço-alvo de US$ 190, quase o dobro dos níveis atuais.
A nota mais recente reforça essa visão, destacando o forte impulso na USD Coin (USDC). Sua oferta em circulação cresceu para US$ 80 bilhões, ante cerca de US$ 30 bilhões nos últimos dois anos, impulsionada pela demanda por negociação, colateral, pagamentos e acesso global a dólares americanos.
A Bernstein também apontou para o aumento dos volumes de transações onchain como evidência do papel crescente do USDC nos mercados de cripto e no financiamento transfronteiriço.
O USDC é atualmente a segunda maior stablecoin denominada em dólar americano, atrás do USDt (USDT) da Tether.
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